“Porque a demanda por diplomas aumentou tanto, até mesmo para empregos de baixa qualificação que antes eram exercidos normalmente por pessoas sem ensino superior?”
Esse artigo se propõe a investigar, através de dedução e das leis da economia baseadas na praxeologia, a questão levantada acima.
O argumento que me proponho a justificar neste artigo é o de que as políticas de salário mínimo criaram uma demanda artificial e insustentável por diplomas de ensino superior, acarretando num gigantesco desperdício de recursos. Ter em mente o argumento principal deste artigo ajudará o leitor a se guiar pelos meandros da discussão.
Primeiro, é útil esclarecer que o salário é um preço, mais especificamente o salário é o preço pelo qual o trabalhador vende suas horas de trabalho, que são compradas pelo empregador.
Se o salário é o preço que o empregador paga pelo trabalho de seu funcionário, na ótica da empresa esse salário é um custo, assim como o custo de qualquer outro insumo necessário para produzir o produto que a empresa oferece.
Também precisamos entender que “salário mínimo” é uma política que proíbe o empregador de contratar trabalhadores por um valor abaixo do estipulado como mínimo. Se o salário mínimo for R$ 1.000,00, o empregador está proibido de contratar um trabalhador por menos que isso.
A formulação apresentada acima como definição de salário mínimo evidencia uma sutil diferença com a definição do senso comum, que define o salário mínimo como uma lei que obriga o empregador a pagar mais aos trabalhadores. Essa definição do senso comum está errada, uma vez que o empregador pode simplesmente decidir não contratar o trabalhador que produza um valor menor para a empresa do que os seus custos (seu salário), pois nesse caso a empresa estaria tendo prejuízo ao manter aquele funcionário.
A política de salário mínimo excluirá do mercado de trabalho todos que não conseguem produzir um valor superior ao salário mínimo.
No mercado existem duas formas de competir com seus concorrentes: Competição por preço e competição por qualidade.
Competição por preço é aquela que ocorre quando eu cobro um preço menor do que meus concorrentes de qualidade similar.
Competição por qualidade é aquela que ocorre quando eu ofereço uma qualidade maior que a dos meus concorrentes de preço similar.
A política de salário mínimo impede o trabalhador de competir por preço, ou seja, impede o trabalhador de pedir um salário menor que o valor estipulado como base. Impedidos de competir por preço, os trabalhadores serão obrigados a competir apenas por qualidade, qualidade essa que atualmente é entendida como “ter uma formação de nível superior”. Esse é o motivo pelo qual até mesmo profissões de baixa qualificação, que antes não exigiam diplomas, passaram a exigir.
Esse aumento na competição por qualidade gerou um crescimento na demanda por diplomas e, consequentemente, a um aumento no preço para conseguir um, seja através do preço das mensalidades de faculdades privadas ou maior concorrência por vagas em faculdades públicas, elevando também o preço dos cursinhos e o tempo de permanência neles.
Uma vez que a maioria das pessoas que está concorrendo a uma mesma vaga de emprego já possui diploma, esse diploma (pelo menos o da maioria das faculdades) perde seu valor como diferenciador de qualidade, iniciando assim uma nova busca por qualidade dessa vez na forma de pós-graduações, MBAs, especializações, etc.
Toda essa busca artificial por qualidade causada pelo salário mínimo implica em custos cada vez maiores para conseguir empregos, gerando um gigantesco desperdício de recursos (na forma de tempo e dinheiro gastos em cursos e faculdades) e diminuindo a produtividade (relação entre custo X valor gerado) da sociedade como um todo.
De forma simplificada: o salário mínimo, por impedir as pessoas de competirem no mercado de trabalho oferecendo preços menores (pedindo salários menores), gera uma busca por qualidade e consequentemente uma demanda artificial por diplomas, aumentando os custos para ingressar no mercado de trabalho e gerando gigantescos desperdícios e ineficiência na economia.
Vale acrescentar que eu não acredito que esse seja o único motivo pelo qual o aumento na procura por diplomas cresceu consideravelmente na última década, mas acredito que esse seja um dos principais motivos para isso e me propus a provar através de leis econômicas e praxiológicas o motivo dessa crença.
Texto por Joaquim Matheus